Publicado no jornal Estado de São Paulo - 12 de agosto de 2010 - Caderno Paladar
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Muito fértil e resistente, foi decisiva na consolidação da indústria do vinho no país, adaptando-se aos climas, rendendo bastante e proliferando à vontade.
Tornou-se o símbolo da região, como a Malbec na Argentina, a Tannat no Uruguai e a Carmenère no Chile. Agora, com a África do Sul respeitada e com tantas
outras uvas de qualidade, como provamos em colunas anteriores (Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Syrah são algumas das bem-sucedidas), a Pinotage
perdeu a primazia.
Tamanha fertilidade teve um preço: a uva é medíocre em complexidade e sabor. Por melhor que seja o processo de vinificação, boa madeira, controle de
produção e cuidados na cantina, raramente passa de vinhos apenas corretos. E tem o "efeito borracha". Por alguma razão química ainda não totalmente
destrinchada, a Pinotage apresenta um aroma de borracha queimada, desagradável e incontornável. Houve mesmo um seminário em Londres para discutir o
misterioso cheiro, sem conclusão.
Inapropriada para bons cortes, a casta anda perdendo interesse dos produtores. Nos últimos anos, segundo o mais importante indicador de vinhos da
região, o Guia Platter, a superfície plantada com Pinotage estacionou. Os produtores sul-africanos estão se dedicando a explorar outras variedades
bem-sucedidas na região, deixando aos poucos a casta nativa de lado.
Na nossa prova, os vinhos mais simples, com mais fruta e menos artifícios, foram os que se saíram melhor. Não houve vinhos notáveis, reforçando a
ideia de que a Pinotage, para ser bem-sucedida, precisa não querer ser mais do que é: uma uva singela para vinhos comuns."
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